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Jade Barbosa solta o verbo e afirma que CBG sabia da gravidade da sua lesão

12/01/2009
Pouco mais de duas semanas após a divulgação do resultado dos exames no seu punho direito, Jade Barbosa resolveu quebrar o silêncio. A ginasta brasileira, que voltou a treinar nesta segunda-feira no Flamengo após as férias, responsabilizou a Confederação Brasileira de Ginástica pela gravidade do seu problema. - Com certeza eles sabiam. Eu fazia exames de 15 em 15 dias. Não é possível que eles não soubessem o que estava acontecendo - afirmou Jade, após ser perguntada se a CBG sabia da gravidade de sua lesão antes dos Jogos de Pequim. A ginasta afirmou que a entidade não dizia a real situação de sua lesão e que tratava com descaso as dores que ela sentia. - Eles diziam que eu tinha uma inflamação e falavam: "Não é possível que doa tanto”. Não acreditavam no que a gente dizia, porque o médico falava que a gente não tinha nada. Então, diziam que estávamos de manha - contou ela, que tem pedra nos rins e disse ter sido proibida de beber água durante a concentração no CT de Curitiba. - Não precisava disso, né? Nem nutricionista a gente tinha lá. Cada uma comia o que queria. Depois, reclamavam do nosso peso - disparou. Questionada sobre a influência da lesão em seus resultados nos Jogos Olímpicos - favorita a uma medalha, ela ficou em oitavo lugar por equipes, sétimo no salto e décimo no individual geral, Jade foi categórica. - Com certeza atrapalhou. Usei protetor, o que já não é muito bom, e sempre tentava não forçar de um lado. No entanto, ela diz que não sentiu dor durante o período por causa da grande quantidade de analgésicos receitados pelo médico da CBG. - Nas Olimpíadas eu não achava que era tão grave porque eu tomava tanto remédio que não sentia nada. Quando eu já tinha vomitado muito e as competições tinham terminado, parei de tomar e comecei a sentir muita dor. Jade disse ainda que alguém da entidade deveria ter alertado seu pai sobre o perigo de disputar os Jogos Olímpicos de Pequim em sua situação. - O atleta quer muito competir sempre. Eu queria muito ir para as Olimpíadas. Se o Namba (Mário - médico da CBG) e a Eliane (supervisora técnica da seleção) tivessem falado com o meu pai que a situação era essa e perguntado a opinião dele, seria diferente. Mas eles tratam todo mundo assim. César, o pai da ginasta, também esteve presente no Clube de Regatas do Flamengo nesta segunda-feira, mas continuou evitando a falar sobre o assunto, já que a CBG ameaçou processá-lo pelas acusações feitas por ele após as Olimpíadas da China. César limitou-se a dizer que a entidade não soube diagnosticar o problema. - O Namba só dizia o tempo todo que era tendinite. Procurada pelo GLOBOESPORTE.COM, a CBG não pretende se pronunciar mais sobre o caso. - Nem sei o que ela falou, mas nós já dissemos tudo o que tínhamos que falar. Está tudo esclarecido e a gente não tem que ficar um falando de um lado e eles respondendo do outro - disse Eliane Martins, que deixará o cargo no fim do mês, assim como a atual presidente, Vicélia Florenzano. A presidente eleita da CBG Maria Luciene Resende, que assumirá o cargo em fevereiro, e o médico Mário Namba não foram encontrados para responder às acusações da ginasta.
Fonte:Globo

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