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Esporte

Lívio Oricchio: guerra psicológica esquenta disputa Ferrari x Mercedes

12/02/2016

Oficialmente, a 67.ª temporada da história da F1 vai começar dia 18 de março, quando os 22 carros deixarem os boxes do Circuito Albert Park, em Melbourne, no primeiro treino livre da etapa de abertura do campeonato, o GP da Austrália. Mas uma competição já começou e à medida que o lançamento dos modelos deste ano se aproxima tem se tornado mais e mais acirrada: a guerra psicológica entre a direção da Mercedes e da Ferrari. Cada lado deseja mostrar ao outro que está em melhor forma para iniciar a disputa do Mundial. Dá para ir além: querem deixar claro que serão mais velozes já nas duas únicas sessões de testes antes da corrida de Melbourne, de 22 a 25 e de 1.º a 4 de março, ambas no Circuito da Catalunha, em Barcelona.

 

Sergio Marchionne, presidente da Fiat e da Ferrari, e seu diretor, Maurizio Arrivabene, sabem que a escuderia dispôs de condições muito favoráveis para desenvolver um chassi e uma unidade motriz superiores aos usados em 2015, com a qual Sebastian Vettel conquistou três vitórias. Consciente da importância da unidade motriz na era híbrida da F1, iniciada em 2014, Marchionne comentou: “Os nossos responsáveis pela unidade não devem nada a ninguém, estão dentre os melhores do mundo”.

E Massimo Rivola, ex-diretor esportivo, agora o chefe da academia de jovens pilotos da Ferrari, afirmou num evento do Automóvel Clube da Itália, na Sicília: “Estou convencido de que nosso time desenvolveu uma unidade motriz que já está no nível do da Mercedes”. As quatro construtoras de unidades, Mercedes, Ferrari, Renault e Honda, puderam rever 32 áreas, ou tokens, da versão de 2015. As quatro devem se apresentar, este ano, com unidades quase novas.

A Mercedes não ficou quieta depois de ver a repercussão das declarações dos homens da Ferrari, amplamente divulgadas na mídia europeia. Convocou alguns jornalistas a sua sede na Inglaterra, em Brixworth, para uma conversa com o responsável pelo programa da unidade motriz alemã, Andy Cowell, que a Ferrari tanto quis no seu grupo e não conseguiu.

Cowell, claramente em resposta ao otimismo dos italianos, falou: “Nós demos grandes passos adiante no desenvolvimento de nossa unidade nos últimos dois anos. Não acho que estamos parados e ninguém aqui acha que atingimos o limite”. O engenheiro inglês, tão valorizado quanto Adrian Newey, diretor técnico da RBR, daí o peso das unidades motrizes na F1 atual, confirmou que sua unidade já responde com 900 cavalos de potência.

Foi como dizer: 'Olha, pessoal da Ferrari, nós sabemos que vocês devem vir mais fortes, este ano, como vocês mesmos estão dizendo. Mas não pense que estamos dormindo enquanto vocês trabalham”.

Os italianos não se limitaram a falar da unidade motriz. Anunciaram a data de lançamento, dia 18, e permitiram, estrategicamente, que o mais importante diário esportivo do país, a Gazzetta dello Sport, de propriedade do mesmo grupo da Ferrari, divulgasse detalhes do modelo deste ano, o projeto 667, o primeiro concebido pela dupla James Allison e Dirk de Beer, sem a interferência do ex-projetista-chefe, Nikolas Tombazis, dispensado e agora na Manor.

A complexa suspensão dianteira tipo pull rod, por exemplo, foi finalmente abandonada pela Ferrari, única equipe a usá-la. Voltou ao clássico push rod. O sistema de recuperação de energia cinética (MGU-K) foi deslocado da porção traseira para a lateral esquerda da unidade motriz, a fim de permitir uma traseira mais estreita, que pode representar maior eficiência aerodinâmica. Mais coisas foram antecipadas.

Nada disso é ao acaso. Destina-se a fazer os alemães refletirem sobre o esperado avanço do modelo de Vettel e Kimi Raikkonen, este ano. Algo do tipo: 'Dê só uma olhada no que preparamos para enfrentá-los'.

Curiosamente, no que diz respeito ao chassi a Mercedes adotou estratégia oposta a da Ferrari. Enquanto o grupo de Arrivabene optou por antecipar ao adversário algumas das soluções do modelo de 2016, o de Toto Wolff mantém tudo fechado a sete chaves.

A Mercedes sequer anunciou o dia do lançamento do modelo F1 W07 Hybrid. É provável que dia 22, em Barcelona, Lewis Hamilton e Nico Rosberg retirem o pano que o cobre em frente o box do time, somente à última hora, instantes antes de começar a acelerá-lo. Tanto mistério só alimenta a suspeita de que o grupo coordenado por Aldo Costa e Geoff Willis, sob a direção de Paddy Lowe, apresentará alguma solução inovadora.

Quando isso acontece, seus criadores sabem que são potencialmente capazes de garantir importante ganho de performance. Mais: em geral copiá-las não é fácil depois de o carro já estar pronto. Seria por essa razão que a direção da Mercedes tem sido tão reticente em relação ao modelo F1 W07 Hybrid. É grande a expectativa quanto a sua apresentação e, ainda mais importante, ao seu desempenho já nos primeiros testes.

Ao final do oitavo e último dia de ensaios no Circuito da Catalunha, 4 de março, a F1 já terá uma ideia de quem trabalhou melhor no monoposto de 2016. Ou quem ganhou a primeira batalha da guerra psicológica. A Mercedes largou na frente por ter, no ano passado, um carro bem mais eficiente, na média, que o da Ferrari. Para Vettel e Raikkonen poderem vencer Hamilton e Rosberg os italianos deverão dar um passo bem maior que os alemães.

Essa disputa fora das pistas, antecipada por Ferrari e Mercedes, já elevou o interesse da torcida pelos testes de Barcelona e, obviamente, pelas primeiras etapas do campeonato. Mas seja qual for o resultado registrado na pré-temporada e nas provas da Austrália, de Bahrein, da China e Rússia, as quatro primeiras, quem deverá dar mesmo um panorama mais preciso de como a competição vai se desenvolver será o GP da Espanha, dia 15 de maio, quinto do calendário.

Na primeira etapa da fase europeia as escuderias, em geral, se apresentam com novas versões de seus carros, com componentes projetados a partir dos ensinamentos das primeiras etapas.

 

Fonte:http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2016/02/livio-oricchio-guerra-psicologica-esquenta-disputa-ferrari-x-mercedes.html

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