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Música

Paula Toller ‘solta a franga’ em ‘Transbordada’

03/01/2015
RIO - Paula Toller tem o seguinte mantra: “Se eu pensasse demais, ia acabar não fazendo”. Em 2012, ainda no calor da turnê de 30 anos de carreira de sua banda, o Kid Abelha, a cantora de 52 anos de idade foi sentindo a necessidade de “usar a experiência e soltar a franga”. Ela vivia, diz, “um momento geral complicado”, precisava extravasar. Estava perdida, “sem saber muito bem para onde ir, o que fazer”. — Aquela era uma turnê grande, havia uma grande expectativa. E, depois dela, você fica se perguntando: “E agora?”. Resolvi então aproveitar o vazio, entender o vazio, porque é dele que saem as coisas — conta a artista, que acaba de voltar ao mundo do disco com “Transbordada”, seu terceiro álbum solo de estúdio, que ia sair na versão física, em CD, em janeiro, mas a gravadora Som Livre optou por entregar às lojas ainda em dezembro. CORAÇÃO INQUIETO” Curiosamente, o vazio acabou levando Paula de volta a um passado de canções diretas, vigorosas, depois de experiências como intérprete eclética em “Paula Toller” (de 1998, que no entanto teve como sucesso as canções pop autorais “Oito anos” e “Derretendo satélite”) e de flertes com a sofisticação folk-rock e a língua inglesa em “Sónós” (2007). — É isso aí o que eu sei fazer. Tenho um ouvido privilegiado, uma voz que as pessoas já conhecem e um coração inquieto. A confiança veio à medida que eu ia fazendo esses discos solo. Eu andava cheia de ideias de interação, de repertórios mais amplos, e, aos poucos, fui desencanando de tudo — conta Paula, que não precisou pensar muito no conceito de “Transbordada”. — Eu queria o classic pop, um disco cheio, com muito vocal, muito teclado, muita guitarra. O contrário do que eu tinha feito antes. Estava começando a ficar com tédio do meu próprio show, que estava muito elegante. A energia roqueira, para mim, é o ideal. Estou adorando gritar, dançar, ficar descalça. Agora você já pode me chamar de roqueira! A canção “Transbordada” foi a primeira que surgiu. A inspiração deu-se quando, do alto de um avião, a cantora viu nas matas da região serrana fluminense as marcas das chuvas torrenciais de janeiro de 2011 — a maior tragédia climática brasileira, que deixou em seu rastro 905 mortos. — Aquilo me emocionou. Misturei na música a energia violenta da natureza com aquilo que eu estava vivendo — diz ela, que, além de tudo, em 2009, se descobrira portadora de diabetes. — A notícia caiu como um tijolo na minha cabeça, de repente. Hoje, ela está controlada. Mas foi uma guerra de hormônios e de doenças autoimunes, uma tempestade. Tive que lidar com a diabetes nas viagens, tive que me reeducar em termos de horários, de alimentação, até para poder esquecer e continuar vivendo. Com “Transbordada” e mais um punhado de letras na mão, Paula Toller subitamente se lembrou de Liminha, produtor dos quatro primeiros álbuns do Kid Abelha. Logo, os dois estavam em estúdio, compondo juntos e gravando. — Liminha é o DNA da gente. Trabalhei muito com ele naquela época do Kid, nos afastamos e depois começamos a nos encontrar novamente. E quando ele produziu os discos do Erasmo Carlos (“Rock’n roll”, de 2009, e “Sexo”, de 2011), eu fiquei muito impressionada. E pensei: “Agora, com essa bagagem que cada um tem, 30 anos depois, no que será que daria?”. NOMES DO PASSADO Além de compor com a cantora boa parte das músicas do disco, o produtor ainda tocou baixo, guitarra, violão e teclados. Ele não foi o único nome do passado do Kid a dar as caras em “Transbordada”. Primeiro baterista da banda, o hoje produtor Beni Borja voltou como parceiro em “À deriva pela vida” e na sarcástica “Meu nome é blá”. E João Barone, dos Paralamas do Sucesso, tocou bateria em “Ohayou”, música “com cara de hino”, que encerra o disco (e que abrirá os shows). Já da cena contemporânea do rock, quem veio auxiliar Paula no álbum foi Hélio Flanders, vocalista do grupo Vanguart, com quem ela divide os vocais em “Será que eu vou me arrepender” (o rapper mineiro Flávio Renegado, infelizmente, ficou de fora da música “Já chegou a hora”, segundo Paula, por um “probleminha eletrônico” no momento da masterização do disco). — Eu adoro o Vanguart, acho eles uma banda de primeira. Chamei o Hélio para cantar em dueto, que era uma das minhas vontades para o disco, uma coisa que eu nunca tinha feito. Esse é o nosso momento Ângela e Cauby pop — brinca a cantora, que, em junho, quando o disco ainda não estava sequer mixado, testou as músicas novas em show do projeto “Inusitado”, de André Midani. — Eu ainda não estava íntima das músicas, a gente ensaiou correndo, mas achei ótimo. Com sua banda formada por Adal Fonseca (bateria), Márcio Alencar (baixo), Gustavo Corsi e Maurício Coringa (guitarras), Juju (backing vocals) e Caio Fonseca (violão, guitarra e teclados), Paula estreou o show de “Transbordada” em outubro, em Porto Alegre. O Rio de Janeiro, sua cidade, só deve ver o espetáculo em março. Dirigido por Liminha, ele traz o repertório do disco e também versões turbinadas de sucessos do Kid Abelha, como “Fixação”. O rock pode não estar nos seus melhores momentos comerciais no Brasil, mas a cantora acha até bom. — Ele voltou a ser uma coisa bandida!
Fonte:O Globo

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